Dólar recua 18% em um ano e momento é bom para compras

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O dólar iniciou 2017 sem forças e semana a semana vem perdendo valor, levando muita gente a pensar se, na atual cotação, já não dá para pensar novamente nas férias no exterior ou em compras extras na passada por algum freeshop. A dúvida mais constante, no entanto, é em relação ao melhor momento para se fazer a compra da moeda estrangeira: agora ou esperar para ver se cai mais?

Entre economistas e especialistas em educação financeira, a dica é comprar uma parte dos recursos para a viagem. Se a cotação subir, uma parcela considerável da despesa já estará garantida. Se cair, o preço médio ficará menor que o esperado. Mas analistas destacam que a compra de dólar é recomendável para quem já sabe que terá alguma despesa na moeda estrangeira, como uma viagem ou compra no exterior. Aplicações em câmbio em geral têm alto grau de risco e não são indicadas para investidores mais conservadores.

Na semana passada, o dólar bateu os R$ 3,10 por duas vezes. Na sexta, a cotação era de R$ 3,124, o que representa uma queda de 4,61% no acumulado do ano. Parece pouco, mas se ao planejar um intercâmbio no exterior ou uma viagem em família você descobre que precisará de US$ 10 mil, a desvalorização do dólar ocorrida até aqui vai significar uma economia de R$ 1.500 — o desembolso final nesse caso hipotético sairia de R$ 32.740 para R$ 31.240.

Esse recuo ocorre por uma série de razões: entrada de recursos no país, a perspectiva de recuperação da economia e um cenário externo mais favorável. Trocando em miúdos, significa que mais investidores estão trazendo dólares para trocar por reais. Quanto maior a oferta de um produto, menor tende a ser o preço dele, e com isso há uma desvalorização da moeda americana.

Carlos Eduardo Costa, consultor de educação financeira do banco Mercantil do Brasil, lembra que a regra geral ao se planejar um gasto no exterior é fazer a compra aos poucos. No entanto, como a queda no ano já está significativa e há vários fatores que podem fazer com que a tendência de queda se reverta, a sugestão é tentar antecipar um pouco a compra, mas sempre obedecendo ao que o seu orçamento permite.

Uma outra recomendação é evitar os gastos no cartão, para que o planejamento da viagem não saia do controle. Isso porque, em geral, a conversão do dólar (ou outra moeda estrangeira) para o real se dá só no fechamento da fatura, o espaço de algumas semanas pode fazer a cotação subir — e aí o que você achou que tinha comprado barato, já pode não sair tão em conta assim.

Se o gasto no cartão for indispensável, a recomendação é checar com o emissor do plástico (em geral, bancos) se eles já oferecem a opção de “travar” a cotação no momento da compra em moeda estrangeira, o que inclui também gastos em sites de compras internacionais. No fim de novembro, o Banco Central publicou uma circular permitindo que os emissores oferecessem essa alternativa aos clientes, mas são poucos os casos em que a opção já está disponível.

— Entre a compra e a quitação, o dólar pode sofrer uma alteração. Se o banco oferece essa alternativa, é melhor aceitar e garantir o valor em reais. Nossos rendimentos são em reais — disse Costa.

O temor de uma alta intensa do dólar não é injustificado. De fato há um fluxo de dólares positivo para o Brasil, mas pode ocorrer uma reversão. Do lado externo, o maior temor em relação a medidas que podem ser tomadas pelo governo do presidente americano Donald Trump. Suas declarações e de sua equipe têm causado forte volatilidade no mercado de câmbio.

RISCO DE REVERSÃO DE TENDÊNCIA

Há o temor que uma expansão fiscal nos EUA com o objetivo de acelerar a economia gere inflação e faça com que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) eleve os juros, que hoje estão entre 0,50% e 0,75% ao ano. Isso poderá fazer com que investidores que têm dinheiro aplicado em mercados emergentes, como o Brasil, migrem suas aplicações para os títulos americanos. E menos dólares aqui — ou a expectativa que isso ocorra — fará a cotação da moeda americana frente ao real subir.

— Essa tendência de queda pode se reverter rapidamente. Além do Trump, há temas polêmicos para serem discutidos no Congresso que podem colocar em risco a recuperação da economia — avaliou Reginal Galhardo, gerente de câmbio da corretora Treviso.

O dólar vem em queda desde o ano passado — em 12 meses o recuo é de mais de 18% — e por isso o risco de uma correção, segundo Ignacio Crespo, economista da Guide Investimentos. O mercado de trabalho mais forte nos Estados Unidos, com mais pessoas trabalhando e salários em alta, é outro fator que pode causar inflação e fazer o Fed agir mais rapidamente.

— Esse movimento de queda pode ser mais transitório. A médio e longo prazo, a tendência é de alta — avaliou.

O boletim Focus, do Banco Central, mostra que, em média, os economistas preveem que o dólar chegará a R$ 3,40 no final do ano.

Fonte: O Globo

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