Em quatro meses, vendas no varejo paulista crescem 2,7%, com faturamento R$ 5,1 bilhões superior ao mesmo período de 2016

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Segundo a FecomercioSP, 14 das 16 regiões do Estado apresentaram crescimento nas vendas em abril, o que sinaliza uma tendência de melhoria dos níveis de consumo de forma homogênea em todo o território paulista

Em abril, o faturamento real do comércio varejista no Estado de São Paulo registrou alta de 3,2%, na comparação com o mesmo mês de 2016, alcançando R$ 48 bilhões, em torno de R$ 1,49 bilhão acima do valor apurado em abril do ano passado. No acumulado dos quatro primeiros meses deste ano, as vendas cresceram 2,7%, o que representa R$ 5,1 bilhões a mais de receitas. No acumulado dos últimos 12 meses, a alta foi de 1,6%.

Os dados são da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista no Estado de São Paulo (PCCV), realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com base em informações da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz/SP).

No mês, o varejo registrou alta nas vendas em 14 das 16 regiões analisadas pela Federação, sendo que apenas Osasco (-3,4%) e Guarulhos (-0,6%) apontaram retração na comparação com abril de 2016. Já as regiões de ABCD (6,4%), Araraquara (6,4%) e Sorocaba (5,8%) registraram os melhores desempenhos do Estado.

Das nove atividades pesquisadas, cinco mostraram aumento em seu faturamento real em abril: supermercados (10,1%); lojas de vestuário, tecidos e calçados (10,0%); eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos (6%); lojas de móveis e decoração (4,3%); e farmácias e perfumarias (2,6%). Juntos, esses segmentos contribuíram com 4,9 pontos porcentuais (p.p.) para o resultado geral.

Já as retrações foram observadas nos segmentos de materiais de construção (-5,8%); outras atividades (-5,4%); autopeças e acessórios (-1,4%); e concessionárias de veículos (-1,3%), resultando em uma pressão negativa de 1,7 ponto porcentual para as vendas do varejo paulista em abril.

Segundo a assessoria econômica da FecomercioSP, é importante salientar que os dados relativos a abril foram obtidos antes do recente acirramento da crise política, ou seja, em ambiente econômico de maior tranquilidade. Eles revelam a continuidade da trajetória de recuperação do movimento varejista, ainda que de forma moderada, que se refletiu no índice acumulado nos primeiros quatro meses deste ano, de 2,7%, a quinta alta consecutiva nessa comparação.

Da mesma forma como o observado em março, os números de abril apresentam a generalização dos resultados positivos, em termos regionais (14 entre as 16 regiões analisadas apresentando aumento). Isso sinaliza, segundo a Federação, uma relativa solidez na tendência de melhoria dos níveis de consumo, que é bastante positivo e alentador. Analisando as situações econômica e política ocorridas em abril, estavam presentes todas as circunstâncias mais propícias para o varejo responder positivamente ao cenário, como quedas dos juros e da inflação, melhoria na renda agrícola e das exportações e resultados mais alentadores no âmbito da geração de emprego, ao lado da injeção dos recursos de FGTS.

Expectativa

De acordo com a FecomercioSP, existe a possibilidade de deterioração das condições econômicas em decorrência da atual crise política, sendo quase inevitável que isso ocorra ao longo do segundo semestre, quaisquer que sejam as definições que serão dadas ao processo, pois a natureza das soluções na esfera política sempre é prolongada e, por isso, geradora de incertezas. Os impactos disso sobre a atual trajetória de recuperação do comércio, segundo a Entidade, irão depender do desenrolar desses fatos, mas é evidente que as perspectivas se tornam sistematicamente menos alentadoras em comparação àquelas traçadas anteriormente à crise presente.

Embora ainda persistam fatores de turbulência no quadro político, a Federação ainda não enxerga alterações profundas nas variáveis econômicas determinantes para o consumo e que alterem a perspectiva positiva para o crescimento do varejo nos próximos meses. Ao contrário, permanecem em trajetória de queda a inflação e os juros, aumento nas receitas de exportação e melhoria no emprego, além da divulgação de bom desempenho do PIB trimestral. Com isso, e considerando o resultado consolidado de abril nas vendas, as projeções da FecomercioSP continuam apontando para um crescimento anual de 5% em 2017, no faturamento real do varejo paulista.

Varejo paulistano

As vendas do varejo em abril na capital paulista apresentaram um crescimento de 5,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Considerando a série histórica a partir de 2008, foi o quinto maior resultado do varejo paulistano para o mês de abril. O varejo paulistano atingiu uma receita real de R$15,2 bilhões no mês, R$ 816,6 milhões a mais do que a registrada em abril de 2016. Com esses resultados, a taxa acumulada no ano foi de 4,8%, que representa um incremento de R$ 2,8 bilhões em comparação ao apurado entre janeiro e abril do ano passado.

Seis das nove atividades analisadas apontaram crescimento em abril, na comparação com o mesmo mês de 2016, com destaque para os segmentos de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos (16%);supermercados (14,6%); e lojas de vestuário, tecidos e calçados (9,5%), que, em conjunto, contribuíram com 6,8 pontos porcentuais (p.p.) para o resultado geral.

No sentido inverso, as quedas foram observadas nas atividades de materiais de construção (-6,2%); outras atividades (-4,7%); e concessionárias de veículos (-2,8%), resultando em uma pressão negativa de 1,6 ponto porcentual para as vendas do varejo paulistano em abril.

De acordo com a assessoria econômica da FecomercioSP, pelo décimo mês consecutivo a capital paulista mostrou um desempenho de vendas varejistas superior ao observado na média do Estado, representando nítido processo de recuperação do ciclo recessivo iniciado em meados de 2014. A recomposição da renda, por meio da melhoria do ritmo geral das atividades e da consequente elevação do nível de emprego, é elemento essencial para a consolidação de forma sustentada do novo ciclo de crescimento das vendas também na capital, na avaliação da Federação. O que se nota, por meio de pequenos estímulos na renda, como a recente liberação do FGTS e o efeito-renda da queda da inflação, é que as respostas sobre o consumo são bastante rápidas, segundo a Entidade, dado o forte estágio de contração em que a econômica estava nos últimos dois anos.
Da mesma forma como o observado para o Estado, a manutenção dessa trajetória positiva, segundo a FecomercioSP, permite traçar estimativas também mais otimistas para o crescimento do varejo na capital, que pode ver seu faturamento aumentar 7% neste ano. A Entidade pondera ainda que essa estimativa está sujeita a ajustes de acordo com o desenrolar dos fatos políticos atuais.

Nota metodológica

A Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista no Estado de São Paulo (PCCV) utiliza dados da receita mensal informados pelas empresas varejistas ao governo paulista por meio de um convênio de cooperação técnica firmado entre a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz/SP) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

As informações, segmentadas em 16 Delegacias Regionais Tributárias da Secretaria, englobam todos os municípios paulistas e nove setores (autopeças e acessórios; concessionárias de veículos; farmácias e perfumarias; lojas de eletrodomésticos e eletrônicos e lojas de departamentos; lojas de móveis e decoração; lojas de vestuário, tecidos e calçados; materiais de construção; supermercados; e outras atividades).

Os dados brutos são tratados tecnicamente de forma a se apurar o valor real das vendas em cada atividade e o seu volume total em cada região. Após a consolidação dessas informações, são obtidos os resultados de desempenho de todo o Estado.

Fonte: FecomercioSP

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