Paulistanos utilizam parte do 13º salário para quitar dívidas e endividamento cai 0,8 ponto porcentual em dezembro

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Segundo pesquisa da FecomercioSP, 51,9% das famílias da capital paulista apontaram ter algum tipo de dívida no mês

O aporte do 13º salário ajudou os paulistanos a diminuir suas dívidas em dezembro de 2016, quando, segundo o Dieese, foi injetado cerca de R$ 197 bilhões na economia nacional. Com isso, 51,9% das famílias afirmaram ter algum tipo de dívida no último mês do ano, queda de 0,8 ponto porcentual (p.p.) na comparação com novembro. No comparativo anual, quando 50% das famílias estavam endividadas em dezembro de 2015, observou-se elevação de 1,9 p.p..

Em números absolutos, o total de famílias endividadas passou de 2,03 milhões em novembro para 2 milhões em dezembro, sendo que no mesmo mês de 2015, esse número era de 1,8 milhão.

Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

O endividamento foi maior entre as famílias de renda mais baixa. Para as famílias com renda inferior a dez salários mínimos o porcentual de endividados em dezembro foi de 56,4%, permanecendo estável em relação a novembro, quando foram registrados 56,3%. Já no grupo familiar com renda superior a este montante, o porcentual de endividados foi de 38,9%, apresentando queda de 3,6 p.p. em relação a novembro de 2015, quando foram observados 42,5% endividados. Segundo a assessoria econômica da Federação, as famílias de renda mais baixa sentem mais fortemente o impacto do aumento dos preços dos produtos de necessidades básicas, como do grupo de alimentos.

Entre os consumidores endividados, 31,7% deles comprometem sua renda por mais de um ano com as dívidas; 26,4% até três meses; de três a seis meses são 22,3%; e 17,7% comprometem sua renda entre seis meses e um ano.

Inadimplência
Em dezembro, entre as famílias endividadas na Capital, 18,2% delas possuíam contas em atraso, apresentando estabilidade (0,3%) em relação ao mês anterior, quando foram registrados 18,5%. No comparativo com o mesmo mês de 2015, o indicador apresentou alta de 1,0 p.p., quando alcançou 17,2%. Em números absolutos, o total de famílias com contas em atraso passou de 712 mil em novembro para 700 mil no mês de dezembro, sendo que em dezembro de 2015, esse número era de 615 mil, apresentando alta, ano a ano, de 85 mil famílias.

Dentre as famílias com contas em atraso, 47,4% delas têm contas vencidas há mais de 90 dias; 25,8% têm contas atrasadas entre 30 e 90 dias; enquanto que 26,2% do total de famílias estão com dívidas atrasadas por até 30 dias, sendo que 0,6% não sabem ou não responderam.

As famílias com renda inferior a dez salários mínimos são as que têm maior proporção de contas em atraso e, em dezembro, apresentou estabilidade em relação ao mês anterior, mantendo-se em 22,8%. Já na faixa de renda acima de dez salários, houve queda de 0,8 p.p., passando de 8,2% em novembro para 7,4% em dezembro.

Segundo a Entidade, no decorrer do ano de 2016, observou-se que o consumidor tentou manter o seu nível de endividamento mais controlado devido às incertezas econômicas e políticas. Porém, com o agravamento da crise, onde a renda apresentou queda e o desemprego se manteve em alta, o nível de endividamento voltou a apresentar elevação. As famílias com menor renda sentem mais intensamente os efeitos da inflação e da alta de juros, por conta disso, esta faixa da população apresenta maior proporção de contas em atraso, pois, de acordo com a FecomercioSP, o crédito representa um importante meio de manter o padrão de consumo.

Tipos de dívida
O cartão de crédito continua sendo o favorito entre os endividados e foi utilizado por 72,9% dos devedores em dezembro, alta de 1,1 p.p. em relação a novembro.

De acordo com a Assessoria Econômica da Entidade, com a alta da inflação corroendo o poder de compra das famílias, pesando principalmente sobre alimentos e itens não financiáveis, a renda disponível no mês fica cada vez mais comprimida. Com isso as famílias buscam no parcelamento do cartão uma via de financiamento para compra de itens adicionais.

Na sequência dos tipos de dívidas mais recorrentes estão carnês (14,1%), financiamento de carro (13,5%), crédito pessoal (13,1%), financiamento de casa (10,5%), cheque especial (8,3%) e crédito consignado (5,0%).

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