Varejo deve obter ganhos acima da inflação

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O início de ano promissor, com bons resultados no varejo, parece ter perdido fôlego, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O mês de maio registrou queda no volume de vendas, com retração de 0,1% em comparação com mês anterior da pesquisa.

O lado positivo pode ser visto se comparados os mesmos meses de 2018 e 2019. Nesse caso, houve avanço de 1% nas vendas do comércio. O acumulado desde o início do ano é positivo, mas com um tímido 0,7%, projeção menor em relação ao esperado por especialistas do setor que imaginavam crescimento maior nesse período do ano.

No Rio Grande do Sul, a queda foi ainda maior. Em relação a abril, teve recuo de 0,5% nas vendas. Contudo, o percentual acumulado auferido no estudo, nos últimos 12 meses, é de 3,7%, o que torna otimista a projeção do presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDL-RS), Vitor Koch. Ele prevê que o comércio gaúcho possa terminar o ano com ganhos reais, ou seja, acima da inflação e identifica o mês de março como principal para avaliar o resultado abaixo do esperado até agora.

“Tivemos o Carnaval e, além disso, cinco finais de semana. O comércio, principalmente do Interior, esteve fechado por muitos dias em março e isso corroborou para um fechamento ruim. Em abril, houve retomada”, explica.

Setores como automóveis e confecções foram alguns destacados como positivos por Koch, enquanto a área de construção civil, por conta das chuvas, segundo ele, foi prejudicada.

O líder da federação entende que o andamento das reformas estruturantes em âmbito federal ajudará a estimular o consumo novamente, principalmente com a abertura de postos de trabalho e impacto de maior renda e capacidade de investimento para as pessoas. Além disso, ajudará a reduzir o alto índice de inadimplência da população, restringindo o crédito dos consumidores na praça. Koch conta que diversas lojas estão retomando hábitos antigos para não perderem seus clientes.

“O crediário e o cartão próprio das lojas viraram protagonistas. Vemos, também, muitos consumidores comprando a vista, em dinheiro”, afirma.

De acordo com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), o brasileiro tem uma dívida média de R$ 3.239,48, somando todas as pendências em seu nome. O valor é 41% maior que a renda média mensal dos trabalhadores (R$ 2.291,00, segundo o IBGE).

Atualmente, o Estado conta com 100 mil estabelecimentos comerciais e emprega cerca de 520 mil pessoas. A perspectiva da FCDL é terminar o primeiro semestre com crescimento em vendas de até 5,8% para o mercado gaúcho, percentual superior ao projetado em nível nacional, que pode atingir 4,3%.

A principal justificativa é pelo bom momento do agronegócio, que vem puxando os números para cima desde o período mais forte de crise. A possibilidade de redução da taxa Selic – dos atuais 6,5% ao ano para 5% – acenada pelo Banco Central também é vista como um propulsor para a elevação do consumo, sobretudo até o final do ano.

Fonte: Jornal do Comércio

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