Varejo é destaque em dia lento para Ibovespa

Aplicativos de varejo ganham espaço entre brasileiros em busca de renda
17 de julho de 2019
Vendas a prazo crescem pelo 2º ano consecutivo e sinalizam recuperação do comércio
22 de julho de 2019

A busca dos investidores por ações com potencial de valorização adicional dominou as movimentações na bolsa de valores. O pregão foi marcado novamente por lentidão de negócios, reduzida liquidez e falta de catalisadores macroeconômicos para a renda variável, o que manteve o Ibovespa mais uma vez preso à faixa dos 103 mil pontos.

Por mais um dia, o Ibovespa terminou a sessão praticamente estável, em leve alta de 0,08%, aos 103.856 pontos, com um giro financeiro de R$ 10,7 bilhões — mais fraco do que a média diária dos pregões do ano, de R$ 12 bilhões.

Entre as “blue chips”, o movimento foi de novo sem direção definida: Bradesco ON subiu 0,36%, enquanto Bradesco PN cedeu 0,53%; Itaú Unibanco PN caiu 0,27%. Já a Petrobras ON recuou 0,65%, enquanto a PN perdeu 0,54%; Vale ON teve desvalorização de 0,68%.

A queda do setor de commodities dá uma medida do peso do exterior no ajuste dos papéis no Brasil. Lá fora, as bolsas americanas tiveram quedas, ainda de olho no desaquecimento da economia americana.

Internamente, com o ambiente de compasso de espera pela continuidade da agenda de reformas no Brasil, o investidor se apegou a um noticiário específico para operar varejistas e a Eletrobras.

Hoje, o presidente Jair Bolsonaro confirmou que haverá liberação de recursos contas do FGTS e PIS/Pasep, na tentativa de garantir uma injeção de ânimo no consumo do país. Mais detalhes sobre o processo ainda devem ser divulgados ao longo da semana, mas as ações das companhias mais ligadas ao consumo local reagiram positivamente às perspectivas.

Estima-se uma liberação de R$ 42 bilhões do FGTS. No caso do PIS/Pasep, a previsão é de que R$ 21 bilhões ficarão disponíveis, mas só R$ 2 bilhões devem ser efetivamente retirados pelos trabalhadores. Em bloco, os papéis ligados ao setor de varejo e consumo subiram, caso de Lojas Americanas PN (3,65%), Multiplan ON (3,14%), B2W ON (2,90%) e Via Var

A Magazine Luiza ON (4,44%) liderou os ganhos do Ibovespa também na esteira da notícia, mas, no caso da varejista, demanda adicional pelo papel veio da mudança de recomendação — de neutra para compra — pelo Bradesco BBI. O banco também elevou o preço-alvo da ação de R$ 170 para R$ 320 por ação.

Ainda entre os destaques, vale menção à Eletrobras: a ON subiu 3,99%, a R$ 40,35, enquanto a PNB ganhou 3,88%, a R$ 40,70. Nos dois casos, a cotação do papel é a maior em uma série histórica com início em 1994, ano de criação do Plano Real. No ano, a Eletrobras já ganhou cerca de R$ 20 bilhões de valor de mercado, hoje em R$ 54,7 bilhões na B3.

Toda euforia vem de novas informações sobre o desejo do governo de enviar um projeto de lei (PL) ao Congresso para liberar a privatização da empresa. O projeto pensado se assemelha a algo que já havia sido pensado no governo de Michel Temer, mas, com a reforma da Previdência caminhando, o investidor continua se concentrando nas agendas posteriores

“O investidor vem buscando as assimetrias, porque o Ibovespa em si está no limite superior da sua curva, ou seja, está nos pontos mais fortes de resistências”, afirma Fernando Barroso, diretor da asset da CM Capital Markets.

Barroso afirma que a maioria dos papéis do Ibovespa já tiveram uma performance positiva e que, embora a tendência primária do mercado seja de alta, será cada vez mais necessário “filtrar as boas histórias” para obter um rendimento superior à média do mercado.

“Via Varejo eu tirei da carteira depois da disparada recente e agora estou olhando mais para infraestrutura e empresas de concessões. Essa rotação de carteira é fundamental nesse momento”, diz Barroso.

Fonte: Valor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *